quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Depois da terapia, o que faço com a solidão...

 Eu comecei a fazer terapia há quase 6 meses. Neste tempo, ocorreu uma pandemia, quarentena, vírus. Mais coisas para não fazer. Não vou à escola fechada, tenho mais tempo para solidão.

Porém, tenho usufruído mais da solidão com nada. Assisto séries, uso mais chamadas de vídeo.

Preocupo-me bem mais que antes.

Teste.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Sexo, mentiras e videotape em espaços vazios

Hoje me lembrei de um filme que assisti há muito tempo. O nome, Sexo, mentiras e videotape, é sugestivo.
A sinopse que segue, foi postada no site da editora Saraiva:



"Com uma sensualidade penetrante e humor cáustico, a surpreendente relação entre os três assuntos mencionados no título do filme transforma-se na mais falada comédia erótica da década. James Spader (Boston Legal) ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes por sua interpretação brilhante e discreta de Graham, um amigo de faculdade há muito distante que chega à cidade e entra na vida de John (um conquistador egocêntrico), de Ann (a angelical esposa) e de Cynthia (a sexy cunhada). Um a um, cada um dos personagens acaba envolvido com o 'projeto muito pessoal" de Graham, transformando todos os relacionamentos anteriores. Uma estréia de fôlego do diretor Steven Soderbergh (Onze Homens e Um Segredo, Traffic, Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento), esta original comédia apresenta interpretações marcantes de Peter Gallagher (Beleza Americana), Andie MacDowell (Michael, Anjo e Sedutor) e Laura San Giacomo ("Just Shoot Me" da TV)".

E segue, nas características detalhadas: 


Cód. Barras: 7892770023579
Reduzido: 2858518
Duração : Aprox. 99 Min
Formato de Tela : WIDESCREEN ANAMÓRFICO
Idioma da Legenda : Português / Inglês / Espanhol / Japonês
Idioma : Português / Espanhol / Inglês / Japonês
Sistema de Som : Dolby Digital 5.1
Tipo de Mídia : Blu-ray
Classificação Indicativa : A Partir de 14 Anos
Número de Mídias : 1
Elenco : James Spader, Andie MaCDowell, Peter Gallagher, Laura San Giacomo.
Diretor : Steven Soderbergh
conflitos psicológicos, insinuação de sexo e desvirtuamento de valores


Como assisti ao filme na década de 90, lembro-me pouco dos detalhes, mas lembro bem por que o filme me marcou: rotina, descaso (ou pouco caso), traição. Lembro bem da solidão vivida pela esposa, que encontra na limpeza da casa sua alternativa. Recordo bem: enquanto passa aspirador de pó na casa, altas horas da madrugada, observa o marido dormindo. O que me levou a fazer uma pesquisa rapidinha na internet sobre traição. Um site indicou (uol) um artigo sobre 10 razões que levam uma mulher à trair seus esposos, namorados ou o que quer que seja.
Discordei de cara quando indicam que se trata de uma decisão. O ser feminino "resolve" trair, pela razão que seja: por que existe uma rotina dilacerante, ou por que um tambem dilacerante silêncio cobre a relação por todos os lados,

Segundo o que penso sobre o amor e as relações amorosas, a mulher se apaixona tanto, que não decide nada.  Ela insiste, persiste, enquanto pode. 
Mas, o risco, de verdade,são espaços vazios. 
Espaços vazios podem ser ocupados.
Ouvidos tem a função de ouvir. O que não se ouve em determinado lugar, se ouve em outro. 
Mulheres precisam de todos os sentidos em perfeita atuação e sintonia. 
O que não é dito, pode ser mostrado. 
O que não é mostrado, pode ser dito.
Trair não é uma decisão, acontece. 

Nessa vala, homens são descuidados quanto ao amor. Mas isso é uma outra história.

Maria Bethânia - Sonho Impossível

Anne Hathaway Cantando I Dreamed a Dream - Os Miseráveis

Doce Solidão



Doce Solidão

Marcelo Camelo

Enviado por meu filho, Nilson, que entendeu tudo isso... O blog dele é quase pura utopia...
www.umsonhoumautopia.blogspot.com

Falar de solidão diminui o estar só

Solidão

Alceu Valença

A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Povoar a solidão, por Martha Medeiros




Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultivecomo uma doença, e sim como uma circunstânciaA sua é de que tamanho? Difícil encontrar alguém que tenha uma solidão pequena, ajustada, do tipo baby look. Geralmente, a solidão é larga, esgarçada, como uma camiseta que poderia vestir outros corpos além do nosso. E costuma ser com outros corpos que se tenta combatê-la, mas combatê-la por quê? Se nossa solidão pudesse ser visualizada, ela seria um vasto campo abandonado, um estádio de futebol numa segunda-feira de manhã. Dói, mas tem poesia. Talvez seja por aí que devamos reavaliá-la: no reconhecimento do que há de belo na sua amplitude. A solidão não precisa ser aniquilada, ela só precisa de um sentido. Eu não saberia dizer que outra coisa mais benéfica há para isso do que livros. Uma biblioteca com mil volumes é um exército que não combate a solidão, mas a ela se alia.A solidão costuma ser tratada como algo deslocado da realidade, como um tumor que invade um órgão vital. Ah, se todos os tumores pudessem ser curados com amigos. Uma pessoa que não fez amigos não teve pela sua vida nenhum respeito. Nossa solidão é nossa casa e necessita abrir horários de visita, hospedar, convidar para o almoço, cozinhar com afeto, revelar-se uma solidão anfitriã, que gosta de ouvir as histórias das solidões dos outros, já que todos possuem seus descampados.A solidão não precisa se valer apenas do monólogo. Pode aprender a dialogar e deve exercitar isso também através da arte. Há sempre uma conversa silenciosa entre o ator no palco e o sujeito no escuro da platéia, entre o pintor em seu ateliê e o visitante do museu, entre o escritor e o seu leitor desconhecido. Ah, os livros, de novo. De todos os que preenchem nossa solidão, são os livros os mais anárquicos, os mais instigantes. Leia, e seu silêncio ganhará voz.Às vezes, tratamos nosso isolamento com certa afetação. Acendemos um cigarro na penumbra da sala, botamos um disco dilacerante e aguardamos pelas lágrimas. Já fizemos essa cena num final de domingo - tem dia mais solitário? É comum que a gente entre na fantasia de que nossa solidão daria um filme noir, mas sem esquecer que ela continuará conosco amanhã e depois de amanhã, deixando de ser charmosa e nos acompanhando até o supermercado. Suporte-a com bom humorou com mau humor, mas não a despreze. Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultivecomo uma doença, e sim como uma circunstância. Em vez de tentar expulsá-la, habite-a com espiritualidade, estética, memória, inspiração, percepções. Não será menos solidão, apenas uma solidão mais povoada. Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão, escreveu Baudelaire. Ah, os livros, outra vez.